Natal - RN
10 de Setembro de 2010
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O ritmo de crescimento no volume de financiamentos habitacionais da Caixa Econômica Federal (CEF) no Rio Grande do Norte deve atingir, neste ano de 2010, um montante 12 vezes maior que o obtido há três anos. O total previsto para investimento nesse setor é de R$ 1,6 bilhão para o financiamento de 18.600 imóveis.
A projeção é feita diante do resultado obtido pela Caixa no ano de 2009, quando foram financiadas 8.031 unidades habitacionais, em um total de R$ 513 milhões. O valor é superior ao somatório do investido nos dois anos anteriores. Em 2008, foram 4.300 imóveis financiados, em um total de R$ 175 milhões investidos. Em 2007, foram 5.580 imóveis e R$ 130 milhões. "Em 2009, a Caixa contratou, em número de unidades habitacionais, 70% a mais que o somatório entre 2007 e 2008", reforça o gerente regional de negócios da construção civil da Superintendência da Caixa no Estado, Carlos Antônio de Araújo.
O salto dado no ano anterior é creditado ao programa habitacional do Governo Federal, "Minha Casa, Minha Vida". "Das 8.031 unidades habitacionais financiadas em 2009, 52%, ou seja, 4.239 imóveis foram através do programa", diz Araújo. Desse total de imóveis contratados através do programa, 3.246 já estão em construção, o que representa um investimento de R$ 155 milhões. Alguns devem ser entregues nesse ano ainda. Os projetos contratados até dezembro do ano passado se enquadram nessa perspectiva. "As construtoras têm até doze meses para entregar os projetos da faixa de zero a três salários mínimos, em um total de 2.793 imóveis", explica. São casas e apartamentos localizados em Natal, na Zona Norte e no bairro do Planalto, além dos municípios de Parnamirim, Extremoz e Ceará-Mirim. As primeiras entregas devem começar em setembro e além dessa faixa salarial, os que possuem renda entre três e dez salários mínimos também devem ser contemplados.
Nessas duas faixas que estão concentrados os maiores déficits habitacionais do País: 98% da população sem casa própria ganha até seis salários mínimos. "O Estado acompanha essa mesma estatística. O déficit está concentrado nessa faixa", acrescenta o gerente. Não é à toa que 50% dos recursos aplicados em 2009 através do banco foram para famílias com essa renda. Quando se fala em imóveis, o número salta para 75%, ou seja, dos mais de 8 mil imóveis, 6 mil foram destinados a essas famílias.
Em 2010, o banco espera financiar 18.600 imóveis, mais que o dobro do resultado de 2009, perfazendo um total de R$ 1,6 bilhão - um número 12 vezes maior que o do ano passado. Os recursos, no entanto, não virão apenas do programa "Minha Casa, Minha Vida", que deve responder por quase 50% do total: R$ 784 milhões. Os financiamentos com os recursos da poupança devem contar com R$ 790 milhões para atender as 36 propostas de em análise pelo banco, em um total de 4.600 imóveis.
Para o programa do governo federal, 59 propostas de empresas estão em análise na Caixa e contemplam 14 mil unidades habitacionais. A maior parte - 13 mil imóveis - se destina a famílias com renda até três salários mínimos e deve receber R$ 384 milhões em investimentos. Esses são os projetos de habitação popular e os que têm demandas cadastradas por Estados e municípios. "A seleção dos beneficiados, com o critério de hierarquização, será definida pelo Ministério das Cidades", explica. Para a segunda faixa, de três a dez salários mínimos, são 33 as propostas em análise pelo banco, em um total de 28 empresas e 5 mil imóveis com investimento de R$ 400 milhões. Nessa última faixa, o processo funciona de forma deiferente. As propostas aprovadas são comercializadas no mercado.
Diante desses números, Araújo acredita que o financiamento de imóveis deve ser concentrado dentro do programa "Minha Casa, Minha Vida". Além disso, a oferta de unidades habitacionais deve ser concentrada na faixa entre três e dez salários. Já os financiamentos com os recursos das poupanças devem atender as faixas de renda acima das contempladas pelo programa do governo federal.