Notícias • Economia

18 JAN

Bugueiros sentem baixa na procura por passeios

Crédito: Wellington Rocha
Legenda: A expectativa dos 720 profissionais cadastrados pela Setur é de que a demanda aumente nos próximos 15 dias
Leonardo Dantas

O tradicional passeio de bugue pela costa potiguar, em especial pelas dunas do litoral Norte, vive um momento de baixa procura em contradição com o atual período de alta estação. Anos atrás o passeio era uma das principais atrações turísticas do Estado e possível de ser encontrado em quase toda a costa das praias próximas à capital. A grande demanda de veículos atendia às necessidades do setor, que às vezes gerava até lista de espera, porém, a situação de hoje é inversa, pois ao invés de ter fila de turistas para realizar o passeio o que existe é uma fila de bugues parados à beira mar.

A reportagem d´O Jornal de Hoje esteve na praia de Jenipabu, neste sábado, e acompanhou a realidade de duas entidades representativas dos bugueiros. Com o crescimento da categoria subgrupos foram formados e organizados em associações e cooperativas, totalizando cerca de 720 profissionais cadastrados junto à Secretaria de Estado do Turismo (Setur).

Atualmente, em Jenipabu, o passeio de bugue se divide em dois tipos, o simples e o completo ao custo de aproximadamente R$ 180 e R$ 400, respectivamente. No primeiro, o cliente parte da beira mar em direção às dunas, passando por Santa Rita e voltando até o ponto de partida, com duração de 90 minutos. Na segunda opção, o contratante parte de Jenipabu em direção à praia de Muriú, visitando as praias de Barra do Rio, Graçandu, Pitangui, Jacumã e Porto Mirim, passando por dunas e pela travessia de balsa sobre o rio.

O vice-presidente da Associação dos Bugueiros do Rio Grande do Norte, Ilton Bartolomeu, afirmou que o setor vive uma pequena crise, contudo, não atribui a baixa na procura pelos passeios ao valor cobrado. Para ele, a situação é temporária, acreditando numa melhora significativa nos próximos 15 dias. "O início do mês foi muito bom, mas esta semana a queda foi perceptível. Estamos aí com muitos carros parados. Nos acostumamos a sobreviver com altas e baixas. Um exemplo é o mês de agosto, quando chegam os turistas estrangeiros", disse o vice-presidente da associação.

O secretário da Coopbuggy, Gilberto Bonfim, confirmou que a maior parte dos clientes são brasileiros das regiões Sudeste, Centro-Oeste e Norte. De acordo com ele, o movimento estava indo bem para os associados, no entanto o grupo também sentiu uma redução na procura pelo passeio, afirmando que os valores variam com a demanda. "Não vamos explorar o turista, até porque queremos que ele fique satisfeito e indique o serviço. Sentimos uma diminuição, mas mesmo assim atendeu as expectativas, mesmo sem a presença do turista estrangeiro. A retirada dos vôos diretos afetou o trabalho dos bugueiros, com certeza", afirmou o representante da cooperativa.

Gilberto Bonfim relatou ainda a existência de passeios clandestinos, com pessoas desautorizadas, como um dos fatores na baixa procura pelo serviço legalizado. Ele orientou que o turista ou pessoa interessada no passeio observe as características do veículo, se pertence a alguma associação e se possui o adesivo de autorização da Setur. "É um serviço sério e perigoso. Somos habilitados e fiscalizados. O ideal é procurar alguém com responsabilidade e identificado, pois não é qualquer motorista que pode sair dirigindo pelas dunas", alertou Gilberto.

Comente esta notícia:

Expediente Sobre Anuncie Assine o JH Sugestão de Pauta Fale Conosco