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18 NOV

Falta de diagnóstico faz aumentar casos de tuberculose no RN

Crédito: Wellington Rocha
Legenda: Técnicos debateram as formas de combater a tuberculose, que em 2008 teve 589 registros da doença somente em Natal
Da redação

Medidas simples, mas que não estão sendo executadas de maneira adequada na rede básica de saúde pública, poderiam melhorar e muito os programas de controle da tuberculose no Rio Grande do Norte. Atualmente, o estado registra 1.104 novos casos da doença.

Os números foram apresentados na manhã de ontem, durante o 2º Seminário Estadual de Mobilização Social no Combate à Tuberculose. O evento, que é realizado por profissionais do Programa Estadual de Controle da Tuberculose (PECT), segue até hoje no auditório da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), no Tirol.

De acordo com a coordenadora do PECT, Marta Santos, o seminário visa a divulgação das questões legais, sociais, educativas, epidemiológicas e biológicas que envolvem o controle da doença, e sensibilizar a população quanto à importância da participação de todos para a redução da mortalidade e erradicação do agravo.

Segundo ela, até 2015, o governo federal espera reduzir pela metade o número de casos da tuberculose no país, através de um Plano Emergencial do Combate. Contudo, procedimentos considerados primários não estão sendo realizados na rede básica de saúde. O primeiro passo, segundo Marta, seria identificar as pessoas que procuram tratamento e que possam estar com a doença ativa.

Hoje, denuncia a coordenadora, pelo menos ¼ dos portadores da tuberculose pulmonar não fizeram o exame de baciloscopia do escarro, ao procurarem os postos e unidades de saúde da família. Para ela, um dos custos mais baixos que existem na saúde pública é o diagnóstico da doença. "Muita gente ainda discrimina a tuberculose, associando-a à situação de miséria. Contudo, a tuberculose pulmonar pode ser curada em quase todos os casos.
Após o início do tratamento, dificilmente o paciente infectará outros", disse.

A tuberculose é uma doença infecciosa causada por um micróbio chamado "bacilo de Koch" (BK), que tem nome científico de Mycobacterium tuberculosis. É uma doença contagiosa e que atinge principalmente os pulmões, mas pode ocorrer em outras partes do nosso corpo.

Nessa perspectiva, outro ponto negativo para o sistema de saúde potiguar, apontou a coordenadora, seria o acompanhamento clínico e laboratorial inadequado feito pelos médicos. "Tem que existir uma visão mais integral do paciente, como por exemplo, o acompanhamento das toxidades medicamentosas".

A capital potiguar registra metade dos casos de tuberculose do RN, tendo como porta de entrada a rede de referência hospitalar. Em 2008, foram 589 registros da doença, seguido por Mossoró (124), Parnamirim (70), São Gonçalo do Amarante e Macaíba (32) e Ceará Mirim (21). Em 2008 foram notificados 75 mil casos em 350 municípios brasileiros e 75% dos casos estão nestes municípios. O Rio Grande do Norte detém uma notificação em torno de 1.300 casos novos e 65% dos casos estão nos seis municípios prioritários. "A tuberculose continua sendo um grave problema de saúde pública", destaca Marta Santos.

Segundo a coordenadora do PECT, não há controle da doença enquanto não houver uma busca mais detalhada das informações acerca do diagnóstico do paciente, a exemplo dos apenados, pacientes de abrigos, moradores de rua e crianças com menos de 15 anos. Entre os desafios, estão a articulação com o programa DST/AIDS e outras instituições governamentais e não governamentais, a expansão da cobertura do tratamento supervisionado aos municípios prioritários, ações para reduzir o abandono do tratamento, oferecer teste anti-HIV a 100% dos adultos com a tuberculose, melhorar o sistema de informações da tuberculose, e realizar oficinas para os profissionais que atuam em laboratórios municipais com referência para a doença.

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