Natal - RN
07 de Setembro de 2010
21ºC
28ºC
Pesquise por data com dd/mm/aaaa.
Pressione "enter" para buscar.
Crédito: Wellington Rocha
Medidas simples, mas que não estão sendo executadas de maneira adequada na rede básica de saúde pública, poderiam melhorar e muito os programas de controle da tuberculose no Rio Grande do Norte. Atualmente, o estado registra 1.104 novos casos da doença.
Os números foram apresentados na manhã de ontem, durante o 2º Seminário Estadual de Mobilização Social no Combate à Tuberculose. O evento, que é realizado por profissionais do Programa Estadual de Controle da Tuberculose (PECT), segue até hoje no auditório da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), no Tirol.
De acordo com a coordenadora do PECT, Marta Santos, o seminário visa a divulgação das questões legais, sociais, educativas, epidemiológicas e biológicas que envolvem o controle da doença, e sensibilizar a população quanto à importância da participação de todos para a redução da mortalidade e erradicação do agravo.
Segundo ela, até 2015, o governo federal espera reduzir pela metade o número de casos da tuberculose no país, através de um Plano Emergencial do Combate. Contudo, procedimentos considerados primários não estão sendo realizados na rede básica de saúde. O primeiro passo, segundo Marta, seria identificar as pessoas que procuram tratamento e que possam estar com a doença ativa.
Hoje, denuncia a coordenadora, pelo menos ¼ dos portadores da tuberculose pulmonar não fizeram o exame de baciloscopia do escarro, ao procurarem os postos e unidades de saúde da família. Para ela, um dos custos mais baixos que existem na saúde pública é o diagnóstico da doença. "Muita gente ainda discrimina a tuberculose, associando-a à situação de miséria. Contudo, a tuberculose pulmonar pode ser curada em quase todos os casos.
Após o início do tratamento, dificilmente o paciente infectará outros", disse.
A tuberculose é uma doença infecciosa causada por um micróbio chamado "bacilo de Koch" (BK), que tem nome científico de Mycobacterium tuberculosis. É uma doença contagiosa e que atinge principalmente os pulmões, mas pode ocorrer em outras partes do nosso corpo.
Nessa perspectiva, outro ponto negativo para o sistema de saúde potiguar, apontou a coordenadora, seria o acompanhamento clínico e laboratorial inadequado feito pelos médicos. "Tem que existir uma visão mais integral do paciente, como por exemplo, o acompanhamento das toxidades medicamentosas".
A capital potiguar registra metade dos casos de tuberculose do RN, tendo como porta de entrada a rede de referência hospitalar. Em 2008, foram 589 registros da doença, seguido por Mossoró (124), Parnamirim (70), São Gonçalo do Amarante e Macaíba (32) e Ceará Mirim (21). Em 2008 foram notificados 75 mil casos em 350 municípios brasileiros e 75% dos casos estão nestes municípios. O Rio Grande do Norte detém uma notificação em torno de 1.300 casos novos e 65% dos casos estão nos seis municípios prioritários. "A tuberculose continua sendo um grave problema de saúde pública", destaca Marta Santos.
Segundo a coordenadora do PECT, não há controle da doença enquanto não houver uma busca mais detalhada das informações acerca do diagnóstico do paciente, a exemplo dos apenados, pacientes de abrigos, moradores de rua e crianças com menos de 15 anos. Entre os desafios, estão a articulação com o programa DST/AIDS e outras instituições governamentais e não governamentais, a expansão da cobertura do tratamento supervisionado aos municípios prioritários, ações para reduzir o abandono do tratamento, oferecer teste anti-HIV a 100% dos adultos com a tuberculose, melhorar o sistema de informações da tuberculose, e realizar oficinas para os profissionais que atuam em laboratórios municipais com referência para a doença.