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03 SET

Woodstock: Lixo & Vagabundagem

Crédito: Divulgação
Bruno Bruce Especial para o JH 1ª Edição

O Festival de Woodstock completou quarenta anos em agosto último. Matérias em jornais locais, nacionais, na mass midia. Imagens de antigos ídolos no palco, sob olhar atento de uma multidão. Notícia mundial, enfim. Quase comoção internacional. Custo a entender, e pergunto: Será que todo o planeta endoidou? Como três dias de vagabundagem, movidos pelo consumo aberto de drogas ilícitas, é visto com ternura em dias atuais? Tenho a imagem aérea do local fixa em minha cabeça (a fazenda Bethel), imunda, mal cheirosa a quilômetros. São os novos tempos. O que LSD e marijuana são diante dos modernos crack e speed? Só imagino a idolatria a este cenário da década de 1960 como contraponto aos tempos atuais.

Infelizmente, antipatizo com os hippies. Sejam de que década for. Mas faziam parte de uma contracultura, seja o que diabos isso significasse. Hoje mal notamos pessoas defendendo uma cultura qualquer! São os novos tempos. E parece que o que há de mais seminal, Pop- musicalmente falando - foi feito por estes sugadores de maconha. Basta conferir o cast do evento.

Mas infelizmente odeio hippies, sua falta de asseio, e visão político-socialista-de-botequim um erro infantil. Sou das fileiras do si vis pacem para belum (em latim, Se queres a paz, prepara a guerra). Será que fui o único que notei a tolerância atual à maconha (descriminalizando o usuário, sendo aceita em "ambientes culturais") e o endurecimento gradual irreversível contra o cigarro comum (praticamente banido)? Herança desta Era de Aquário?

O ano de 1999 viu mais uma tentativa de levar a cabo um novo Festival de Woodstock , mas o que entrou para a história foram cenas de violência, incêndios (que por pouco não transformaram-se em tragédia monumental) e estupros. Aponto o desmantelamento da família (pais ausentes pelo trabalho excessivo e suas conseqüências), o consumo em massa (principalmente de tecnologia) e a utilização de drogas sintéticas (Ecstasy, cocaína, crack) como alicerces de um comportamento furioso, equivocado. A descrença em instituições seculares como as Forças Armadas - inúmeros adolescentes só são apresentados a disciplina numa instituição militar - aliada a uma relação familiar minada faz ruir grande parte da psique dos jovens. Considero perigosíssimo romantizar uma época que tinha a droga, o socialismo, a falta de higiene pessoal como ditames de uma "cultura". Deu nisso: a Era de Aquários ganhou reforço com traficantes maliciosos; mortes por overdose de alguns dos líderes mais expressivos (Jim Morrison, Janis Joplin); e foi responsável por mais um passo rumo ao apocalipse social que vislumbramos.

Meu filho adolescente se interessa por Rock, como fiz na sua idade. Tento, cuidadosamente, mostrar-lhe que seus ídolos musicais devem ser apenas isso: personas distantes que lhe entregam, quando inspiradas, o melhor de um gênero, nunca servindo como pilares de costumes sociais. Descobri cedo que ídolos do Rock geralmente são oriundos de famílias desestruturadas, com lares abusivos que moldaram artistas mentalmente fracos, fisicamente propensos a autodestruição com álcool e drogas pesadas. Quero que meu filho consuma Rock N' Roll, não o inverso! Deixo que relações familiares falidas entreguem para o holocausto do Rock uma nova leva de futuros ídolos.

A década de 1960 viu alvos mais fáceis para a rebeldia juvenil - sempre ingênua. Hoje a maldade está dissimulada na forma de grandes corporações multinacionais, juristas e políticos nefastos. A maior arma para um homem de boa-índole é a manutenção de uma família em harmonia, de sólida base moral. Em uma época onde a mídia prioriza o espetáculo, o bizarro, o explícito, trata-se de uma tarefa hercúlea.

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