Natal - RN
02 de Setembro de 2010
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Preconceito, Senhor Redator, não tenho. Nenhum. Pelo menos com comida e vinhos. Minha luta, tantas vezes declarada, é entender os enólogos, mas nunca deixei de culpar a mim mesmo pelo apoucamento desta sensibilidade fronteiriça. Um deles, e não deve ter sido injusto por consciência, escreveu a esta coluna ensinando como consultar dicionários. Assim, seria talvez mais fácil a correta e boa distinção entre enofilia e enologia. Ou, melhor: entre os amigos e os estudiosos da ciência do vinho.
Ora, Senhor Redator, e nisto não vai nenhum complexo de inferioridade deste pobre homem da Rua da Frente: nada pode ser mais complicado do que texto de enólogo, daí a minha convicção de que não se trata de coisa de amigo, mas de cientista. E me nego a reconhecer numa linguagem desprovida de afeição qualquer sinal de amor ao vinho. Aquela mania de dissecar camada a camada, ou cheio a cheiro, como prefira, o gosto e o aroma dos vinhos, é coisa de quem é pobre da rica beleza das coisas simples.
Há exceções - como não aceitá-las? - mas enólogo quase sempre é inculto, longe do humanismo que é indispensável a todas as manifestações do espírito. São textos apenas bem alinhavados, entre o que copiam, refogam ou requentam, e querem impingir o que seu próprio artificialismo denuncia. Como se a ninguém fosse dado perceber o pedantismo falso com que se deixam embalar pelo frio dos Alpes ou os raios de sol de uma primavera que inventam, tudo embrulhado no papel de seda do pastiche inventado.
Outro dia recebi via e-mail o texto de um douto enólogo desta pobre aldeia de Felipe Camarão ensinando ao leitor como harmonizar os vinhos, tintos ou brancos, secos ou suaves, com o milho verde nas suas formas joaninas: a canjica, a pamonha e o mungunzá, coisa assim. Ou o pé-de-moleque diante do qual seria injusto qualquer tipo de discriminação. O cientista ainda teve o requinte de dizer que para as experiências é preciso ser uma pessoa livre dos preconceitos e da resistência, um ser de alma superior.
É ai, Senhor Redator, que a coisa emperra na cabeça deste pobre cronista. Gosto de vinhos e se não sei o mistério das suas sagradas entranhas, paciência. E gosto muito das comidas à base de milho, de uma canjica bem feita, da pamonha ainda morna, e do bolo de milho. Mas não consigo nem ao menos imaginar sem café quente e forte. Ora, qual nada! O enólogo sugere pamonha com um Lambrusco Rosso Amabile. O milho verde assado com um sauvignon blanc ou, se tanto, um Riesling Renano, e assim vai.
Milho cozido que se faz raspando as espigas antes de cozinhá-las? Nem queira saber: só com um vinho 'seco e mineral'. E eu - juro! - nem sabia que existe vinho mineral. O velho Pé-de-Moleque, aquele da infância? Deve ser degustado com alguns cálices de Vinho do Porto, de preferência um Tawny. E o velho e bom mungunzá, como há de ser tratado à mesa do São João? Acredite: com um licor de vinho tinto 'e tânico'. Não confundir com titânico, Senhor Redator. Seria um desastre. Arre égua!
Aviso
Já wilmistas da melhor cepa convencidos de que a governadora Wilma de Faria pode conquistar o apoio da prefeita Marília Dias, de Macaíba. Ninguém sabe se o fato agradaria ao ex-prefeito Fernando Cunha.
SPE
Já tem gente no governo morrendo de medo da Sociedade para Fins Específicos, a SPE. Empresa que vai misturar terrenos municipais e estaduais valiosíssimos com interesses privados com fins específicos.
Aliás
A governadora não parece disposta a abrir mão do controle superior das obras da Copa. Tanto que será dela o comando de todas as articulações nas esferas pública e privada. Em princípio, não seria erro.
Mas
A governadora Wilma de Faria deve tomar todo cuidado para evitar que, na sua prática, a SPE não passe a ser uma Sociedade para Fins Genéricos. Numa véspera de campanha política poderá ser um risco fatal.
Jogo
O presidente do Idema, Marcos Aurélio, não vem conseguindo que as suas decisões sejam acatadas pela Funpec, a fundação da UFRN que hoje controla os atos. Uma intervenção branca, dizem as fontes de lá.
Tática
Um discreto emissário do governo já fez tudo para um determinado auxiliar entender que é hora de pedir o boné. Depois do fracasso da missão, deu a sugestão: tirem o birô e a cadeira. Pode ser que despregue.
Show
Dizia um gaiato entre uma garfada e outra num dos restaurantes do Plano Palumbo: 'No show de Zezé de Camargo em São Miguel pode ter faltado tudo, menos água. Sem precisar chover'. E riu para dentro.
Invasão
Um adivinhão de plantão nas hostes governistas anda convencido de que depois da invasão inglesa pode vir por ai invasão francesa. E desta vez, pelo terreno que já ocupa, com grande chance de sair vitoriosa.
Atenção
Sai no Brasil, pela Martins Fontes, 'A Biopatia do Câncer'. É nele que Wilhelm Reich defende que o câncer surge da privação sexual crônica. Se a Santa Madre Igreja acreditar nisso? Será um pandemônio.
Web
Não é só o céu da Bíblia que D. Heitor Sales domina com intimidade. O céu da Web também. Por isso se comunica, via e-mail, com os seus amigos daqui, do Brasil e do mundo. Com todo seu vigor cerebral.
Puros
Tota, grande maitre da banca Cidade do Sol, será o introdutor diplomático em Natal do Monte Pascoal, o charuto de Cruz das Almas, lá na Bahia, que chega para disputar a glória de ser o melhor puro brasileiro.
Favas
Dr. Haroldo Bezerra: as favas verdes colhidas nos roçados do Seridó antigo ficam ainda mais perfeitas se cozidas em água e sal, escorridas e salteadas no calor do azeite despertando o perfume de finas ervas.
Santa
Foi notícia no Diário de Pernambuco, domingo, com fotos, a estátua de Santa Rita de Cássia que está sendo erguida em Santa Cruz com 42 metros, a maior da América Latina. O Cristo Redentor só tem 38.
Erro
Ao transcrever o número - 40 - das despesas assinadas pela prefeita Fafá Rosado, a coluna acrescentou um nove. Não são, pois, 409. São 40 milhões. O bastante para a oposição em Mossoró já soltar seu grito.