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Walter Gomes

05 FEV

Uma agenda que divide

No Parlamento, há dois embaraços - um imediato e outro próximo - na agenda de interesse do Palácio do Planalto. Ambos exigem concessões do poder central. A primeira questão, já em trâmite adiantado na Câmara dos Deputados, é o marco do pré-sal. A segunda, com previsão de esquentar os ânimos mais adiante, trata da edição número três do Programa Nacional de Direitos Humanos.
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Cultor do "otimismo possível", Cândido Vaccarezza (PT-SP), novo porta-voz do governo na Casa, dizia, ontem à tarde, que tem sido promissora a interlocução com as bancadas. A expectativa dele é de aprovar as três propostas referentes ao petróleo até o fim de fevereiro. A que cria o regime de partilha do gás e petróleo dos estados com a União acopla maiores índices de complicadores.
O baiano João Almeida, sucessor do paulista José Aníbal na liderança dos tucanos, aposta na ampliação das dificuldades:
"Acho muito difícil que essas matérias sejam votadas sem que sejam aprofundadas as discussões."
Paulo Bornhausen (SC) descreve o clima entre seus liderados do DEM:
"Os textos não sairão do plenário da Câmara para as comissões do Senado antes do fim de março."
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Em fase de revisão, o III PNDH é esperado em abril no Congresso. Criticado por militares e militantes dos direitos humanos, a proposição acalorou debates no passado recente. Por motivo do ano eleitoral, que amplia divergências, parlamentares da base governista admitem que o presidente da República negocie para ir adiante. Opositores prevêem o recuo de Lula da Silva.
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"Pós-escrito": aguarda-se a inclusão na pauta dos trabalhos de outros temas controversos. Um deles: reajuste dos valores de aposentadorias e pensões. Outro: CLS (Consolidação das Leias Sociais), em elaboração na Casa Civil.

Gesto que marca
Civilidade política registrada no Rio Grande do Sul.
O prefeito de Porto Alegre, José Fogaça (foto), adversário do petista Tarso Genro na campanha para governador, preveniu a direção do PMDB, seu partido.
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Pretende negociar um acordo de procedimentos para não atingir Dilma Rousseff, pretendente à sucessão de Lula da Silva, o modesto.

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Contabilidade do Banco do Brasil.
Seu lucro ano passado foi inflado em R$ 1,6 bilhão, conforme o balanço a ser divulgado fim deste fevereiro.
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Esse ganho decorre da apropriação de parte do superávit da Previ (Caixa de Previdência dos Funcionários do BB).

Prova dos nove
Lá vem agitação nas cercanias do poder.
Quatro siglas da base governista querem Ciro Gomes fora da corrida ao Palácio do Planalto.
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Pressões, em elevação desde o início da semana, vão aumentar quinta-feira (11).
Nessa data, em Brasília, reúnem-se no café da manhã para a formulação de "veemente apelo", em nome da unidade da coligação, representantes graduados do PT, PDT, PCdoB e PSB, legenda do deputado.
Além de pedirem que desista do projeto federal, querem-no candidato a governador de São Paulo.
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Há alguma chance para o primeiro quesito; quase nenhuma, para o segundo.

Leitura Dinâmica
* Silenciadas as chorosas cuícas, o presidente da República retoma as viagens internacionais. Na segunda quinzena deste mês, visita México, Cuba, Haiti e El Salvador. Em março, toma a rota de Israel, Palestina e Jordânia.
* Cuide do seu filho antes que um traficante o adote.
* Vista ontem à noite em cadeia nacional de tevê, a senadora Marina Silva (PV-AC) está curiosa para saber a opinião dos eleitores. Para o trabalho de sondagens, agora e depois, o escritório político da presidenciável contratou a empresa Analítica Consultoria.
* Indicado pelo PT, o gaúcho Pepe Vargas vai presidir a Comissão de Finanças e Tributação da Câmara.
* Eraldo Paiva assume, neste sábado, a presidência da seção potiguar do PT. Ele é ligado ao deputado estadual Fernando Mineiro.
* Geddel Vieira Lima (BA) e Jáder Barbalho (PA), chefes do PMDB em seus estados, aceitaram ser vogais da executiva nacional da sigla presidida pelo paulista Michel Temer. Amanhã é diz de convenção.
* A bancada do PSB na Câmara Federal tem 29 membros. Sandra Rosado representa o Rio Grande do Norte.
* Fim de abril, lançamento de "Não contem com o fim dos livros". A obra reproduz conversa entre os escritores Umberto Eco, italiano, e Jean-Claude Carrière, francês. Há um brasileiro reverenciado no diálogo: o bibliófilo José Mindlin.
* Líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), diz que Ciro Gomes, em queda nas pesquisas de intenção de voto, sofre de tensão pré-eleitoral. Mais: "Se ele for candidato, outra vez não passará do primeiro turno."
* Para refletir: "Não tenho nada contra a língua portuguesa. Se você estiver insatisfeito, reclame ao Camões" (João Ubaldo Ribeiro, escritor brasileiro).

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