Diversão & Arte

RN e seus 506 anos

BOB MOTTA - Briga e desquite do matuto


RN e seus 506 anos

Élida Mercês
Repórter - elidamerces@oi.com.br

O Brasil é conhecido como um país sem memória. Prova disso são os feriados nacionais que, para o povo, são apenas sinônimos de dias de folga. Não importa se é 7 de setembro ou 15 de novembro, poucas pessoas sabem explicar o que a data significa e a importância dela para a história da qual fazemos parte.
Essa também é uma realidade nos Estados e municípios. No Rio Grande do Norte, por exemplo, quase não se fala no aniversário do Estado, que coincide com o nascimento jurídico do Brasil, o dia 7 de agosto.
De acordo com o historiador Marcus César Cavalcanti, a data pode ser considerada mais importante que a do descobrimento. "O descobrimento do Brasil aconteceu por acaso, visto que a expedição portuguesa tinha como objetivo chegar à Índia e, por acaso, encontraram nossa terra. Assim como o acaso da descoberta, o registro foi improvisado com a colocação de uma cruz de madeira", explica.
A expedição seguiu para Índia e um ano e quatro meses depois, no dia 7 de agosto de 1851, a expedição comandada por Américo Vespúcio chegou novamente ao Brasil para tomar posse. "A primeira expedição seguiu para Índia, sendo que uma parte foi destacada de volta para Portugal, para contar ao rei sobre a descoberta. A notícia foi dada por Gaspar de Lemos e, naquele momento, começaram os preparativos para a posse definitiva da terra", observa o historiador. ...

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BOB MOTTA

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Briga e desquite do matuto

Êita, sodade da bixiga taboca!
De tu, querido mestre e amigo José Cavalcante, seu Zé, lá da Serra das Espinharas, Patos-PB. Eu sempre fã de carteirinha, do dito, cujo, referido (valei-me Coronel Ludrugero...), só tive a oportunidade e a felicidade de conhecê-lo pessoalmente, na sua residência, esquina da Rua Dr. Manoel Gualberto com a Epitácio Pessoa, em João Pessoa-PB, no ano de 1985. E naquela tarde de sábado, eu e Paulo Tejo, primo do escritor Orlando Tejo, autor do livro Zé Limeira, O Poeta do Absurdo, nos deleitamos com o "Desfile de Fuleragens Matutas" que nosso Mestre, Seu Zé; nos proporcionou. E uma das estórias que nos foi passada naquela tarde, entre uma dose e outra do Scotch de Seu Zé, me foi relembrada ontem, ao redor da mesa dos "Pêia Mole", lá no Bar das Mangueiras, onde Adriano, com aquiescência de Dona Vera, sua esposa, acolhe carinhosamente a "réca de sem futuro"...E os comensais e bebessais daquela confraria, me pediram e eu os atendo prazerosamente, repassando essa fuleragem para meus queridos leitores e leitoras do Cantinho do Zé Povo. Intonce; lái vai mecha! Conta o folclore do Zé Povo, que há muitos anos atrás, quando as estradas nem sonhavam serem asfaltadas, numa daquelas cidades de pé de serra brabo, um casal de matutos, depois de uma briga prá lá de feia, resolveram se separar, e foram procurar um "rábula" (advogado sem curso de direito) da região, para resolver o problema. Matuto, naquele tempo, quando chegava a se separar; era sem volta. Diferente de hoje, que o cabra "leva chife de menhã, se separa de tarde e vorta de noite"... E a confusão todinha era porque o danado do marido "não prestava assistência pombal" à sua cara metade...Depois de expor o problema ao seu "adevogado", o casal foi levado pelo mesmo, à presença do Juiz da Comarca, onde diante de duas testemunhas de cada parte, o Juiz se dispôs a ouvir suas queixas:
- A senhora pode falar, disse o magistrado à queixosa.
- Inselença; êsse disinfiliz num qué nada cum eu não sinhô; o peste, todo dinhêríin qui arruma é prá cachaça, jôgo de suéca, rapariga de fêra e p'ruis putêro de bêra de istrada. ...

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